DEFENSORES E DEFENSORAS DA NATUREZA E DA VIDA APAGAM FOGO NA SERRA E SALVAM ANIMAIS, PLANTAS E NASCENTES DE ÁGUA
Nativas e nativos da comunidade do Covas se unem e, com ajuda de voluntários(as), conseguem apagar o fogo na serra.
Ao perceberem as chamas, as moradoras e os moradores do Covas se mobilizaram rapidamente para contê-las e impedir que o fogo descesse a serra e atingisse a comunidade.
Ligeiramente, o pessoal montou uma base em uma casa próxima da trilha que dá acesso à serra.
É a casa de Reizinho e de Adriana, seres humanos iluminados.
Nessa casa, o povo do Covas se reuniu e subiu a serra pra fazer aceiro, abafar as chamas e rescaldar as brasas.
A partir dessa base outras pessoas agregaram.
E alí, nos primeiros dias, foi juntando gente que chegava de diversos lugares: da Vila de Itaitu, do Piancó, da Coreia, de Jacobina, de Miguel Calmon, de Mirangaba...
Essa gente se reuniu, conversou, analisou, debateu estratégias, definiu táticas, planejou, organizou logística de compras de água, de alimentos, de cozinhar, de servir as refeições (café, almoço, janta, lanches), de lavar os pratos, de recolher o lixo, de levar quentinhas e água para os combatentes em cima da serra.
Muita demanda e muita organização, garra, determinação e resistência.
Os nativos que subiram a serra são uns tratores, verdadeiros guerreiros!
Eles possuem uma sabedoria e um conhecimento sobre o ecossistema de onde vivem incríveis. Sabem tudo!
Mais incrível ainda é a garra, a determinação, a resistência física para o combate e o amor que eles têm pela natureza.
E quem colou nos nativos, como eles, se tornaram também grandes guerreiros.
Os caras partiram pra cima do fogo e nós, voluntários(as), fomos juntos(as).
Sem EPIs... sem máscara, sem luvas, com suas próprias botas (a maioria impróprias para o combate - alguns até mesmo de sandália), com suas próprias roupas (alguns de bermuda) e também com as suas próprias ferramentas (enxada, foice, facão e balde).
Nos primeiros dois/três dias juntou muita gente, mas com passar do tempo, os que chegaram tiveram que voltar para as suas atividades.
Então, ficaram só os nativos e mais alguns voluntários.
Foram oito dias de combate intenso.
Oito dias subindo e descendo serra (em muitas ocasiões, mais de uma vez por dia).
Indo a locais que eram considerados inacessíveis.
Caminhos íngremes, pirambeiras perigosas.
Muita fumaça e fogo.
Na base teve enfermeira, uma equipe de saúde e materiais de primeiros socorros disponiblizados pela prefeitura de Miguel Calmon.
Depois de 4 dias de combate chegaram EPIs para os nativos e voluntários (também providenciados pela prefeitura de Miguel Calmon).
No quinto dia chegou ajuda de um grupo de bombeiros que se integrou com as brigadas de nativos(as) e voluntários(as) formando uma parceria bacana!
As doações de alimentos, água, equipamentos e pix foram fundamentais para que o trabalho de apagar o fogo fosse realizado.
O diretor de turismo de Jacobina esteve presente na base acompanhando as ações e auxiliando na logística.
O diretor de meio-ambiente de Miguel Calmon e o ambientalista Simvaldo se hospedaram no local durante todo o período de combate e coordenaram as ações na base.
As aeronaves que foram DISPONIBILIZADAS PELO GOVERNO DO ESTADO, após contatos de cidadãos civis com deputados e lideranças políticas, também foram fundamentais.
Fundamental também foi o apoio da Prefeitura de Miguel Calmon que contribuiu para o funcionamento da logística de trabalho, através do empenho pessoal e dedicado do prefeito Caca que esteve na base do Covas e nas serras.
Nesses oito dias de combate foram servidas, em média, cento e cinquenta (150) refeições por dia: mais de mil e duzentas no total.
Teve gente que emprestou colchão e disponibilizou casa para os combatentes tomarem banho e dormirem.
Teve gente que disponibilizou carro e moto para transporte de pessoas, comida e equipamentos.
E teve muita resenha também.
Os(As) nativos(as) e os(as) voluntários(as) comungaram entre si um espírito de luta, amor, compaixão e companheirismo.
Neste clima, cantavam e contavam histórias, enquanto apagavam o fogo.
Criaram equipes e nomes das equipes, a exemplo da Equipe Trovoada que chegava feito chuva torrencial pra cima do fogo.
E o lema era: juntos somos mais forte do que o fogo e vamos vencê-lo custe o que custar!
No oitavo dia de combate, depois de uma intensa ação das equipes e o fogo debelado, veio a chuva para resfriar a terra e coroar o trabalho realizado pelos nativos, pelas nativas e pelo voluntariado.
Há muita tristeza com a destruição causada pelo fogo, mas houve também muito aprendizado e muitas novas amizades floresceram.
O sentimento que fica é o de agradecimento e companheirismo entre todas as pessoas que ajudaram.
Fica também o exemplo de que quando a população se une pelo amor em torno de uma causa as coisas funcionam e o resultado acontece!
Viva a força do povo unido!
Viva a natureza!
Viva a força do amor!
Viva o amor! 💪🏿❤️
Roberto Teixeira (Betinho)
Brigadista voluntário, morador de Itaitu, biólogo.
Agradecida por cuidarem do nosso santuário vivo!
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